Espaços públicos como políticas públicas

Vaga Viva paulistana 2009

E se todo o chão fosse verde? - Foto de @dysprosio

Já postamos aqui sobre as Vagas Vivas, que são intervenções nas ruas, que retomam o espaço urbano público perdido para os automóveis privados e os transformam, por períodos curtos de tempo, em espaços de vivência.

A ideia surgiu em São Francisco, lá em 2005 , quando um coletivo de aRtivistas chamado Rebar ocupou uma vaga na rua da cidade, colocou bancos de praça e grama e pagou o parquímetro durante todo um dia. A intenção do coletivo era repensar a cidade e como usamos os espaços públicos. Em São Francisco, por exemplo, 70% do espaço público é dedicado ao automóvel, enquanto só uma pequena fração é voltada para a população. O nome dado à instalação, Park(ing), é uma brincadeira com o infinitivo do verbo “estacionar” (parking) e a palavra Parque (park). Era um parque instantâneo e o sucesso foi tal que institui-se o Park(ing) day, um evento mundial, que acontece no dia 17 de setembro em diversas cidades, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro. Aqui, o nome dado foi Vaga Viva, não menos  – quiçá mais – poético.

Sinta-se na vaga viva

Sinta-se na Vaga Viva - foto de @dysprosio

A sensação de estar na Vaga Viva é realmente especial. No ano passado, estive na da Padre João Manoel, e pude ver de perto como as pessoas reagem a reapropriação desse espaço. Pessoas, em horário de almoço, sentavam-se e batiam papo com desconhecido, liam o jornal do dia, comiam um lanche, tiravam o sapato para descansar os pés. Teve até uma família, pai, filha e cachorro, que chegaram de bicicleta e fizeram a festa.

Mas, como eu disse no post anterior, às vezes, uma foto ou uma ação podem mudar o mundo. E foi mais ou menos isso que aconteceu na cidade que originou o Park(ing) day. A notícia já tem mais de um mês (desculpem o atraso em postar), mas lá em São Francisco, a prefeitura está testando essa reapropriação do espaço como política pública, e pretende criar permissões para comércios criarem pequenos parques e praças permanentes em frente ao seu estabelecimento. É uma vaga a menos de carro, por sinal a mais valiosa para um café ou uma loja, mas também é um espaço a mais de vivência. Certamente mais pessoas passarão a frequentar um lugar que se torna tão mais agradável para os seres humanos.😉

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#Ficadica: se você quer fazer sua própria vaga viva, no ano passado eu e o @dysprosio fizemos a tradução do manual da Vaga Viva da Rebar, que está disponível para download em PDF.

Em tempo: para ver mais fotos da Vaga Viva 2009, em São Paulo, acesse o álbum do João Lacerda (o @dysprosio). Aproveite e pergunte pra ele o porquê desse nick.🙂

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