Capacete é coisa que colocaram na sua cabeça

Vitor de bike e chapéu

Foto tirada pelo João Lacerda

Eu não sei se você lê o Destak, mas na terça-feira o André Pasqualini, cicloativista e diretor do Instituto CicloBR, escreveu sobre o uso do capacete para ciclistas, em sua coluna semanal.

O texto, que vale a leitura, gerou bastante polêmica. Os ciclistas estão divididos e os motoristas morrendo de medo. E a galera do proíbe já quer legislar e obrigar ciclista a usar boné de isopor.

Resolvi me pronunciar sobre o assunto em apoio ao André. Resolvi dizer, já preparado para ouvir muita coisa, porque pedalo sem capacete na cidade.

Em primeiro lugar, quando comecei a pedalar, usava o capacete todo o tempo. Tinha muito receio de pedalar sem ele, criticava quem não usava. Foi então que um ônibus da Transpass me atropelou. E quer saber? Minha cabeça não chegou nem próxima ao chão. E não fui o único:

"Veja, Johnny, nem um arranhão na cabeça dele. É por isso que você deve usar capacete!"

"Veja, Johnny, nem um arranhão na cabeça dele. É por isso que você deve usar capacete!" (clique para ver ampliado)

Ralei o braço e a perna. Machuquei um pouco o ombro. Mas a cabeça nada. Comecei a ler estudos sobre o assunto, entre eles um que sugere que pedalar com uma peruca loira traz mais segurança do que pedalar de capacete. O motivo é simples:  os motoristas tendem a passar mais próximo de ciclistas com capacete do que de pessoas sem capacete – ou de mulheres. No dia a dia do trânsito, percebi que era mais importante que motoristas ultrapassassem em segurança do que estar pronto para a colisão. Até porque, em geral, em colisões com carros, o capacete não faz grande diferença.

“Mas motociclistas usam capacete, é um item importante de segurança”.

Por outro lado, a velocidade desenvolvida pela moto (70, 80km/h) dificilmente é alcançada por um ciclista urbano. Minha velocidade máxima foi de 66 km/h, em uma descida – e eu estava de capacete.  Mas eu não atinjo mais essa velocidade, porque pedalar sem capacete me obriga também a pedalar com mais cuidado. É num acidente em alta velocidade que mora o risco.

“Não importa, em uma colisão o capacete pode salvá-lo”

É verdade. Pode mesmo salvar uma vida. Mas pode não fazer diferença nenhuma e normalmente não faz, como foi o caso da Márcia Prado. O João Lacerda me conta que lembra vividamente do capacete dela despedaçado. Tudo porque num encontro com um ônibus, não é um chapéu feito de isopor que vai fazer a diferença. E se a ideia é dizer que “às vezes protege sim” (o que é verdade), pedestres também deveriam caminhar de capacete (e joelheiras, cotoveleiras, luvas). Mais ainda: pelo índice de traumatismos cranianos em colisões entre carros, todos os motoristas deveriam dirigir de capacete. Indo um pouco mais longe: muita gente cai no banheiro e bate a cabeça, podendo até morrer. Você se vê tomando banho de capacete?

It's style over speed!

It's style over speed! (foto de Laura Sobenes)

Cidades cicláveis

Em países como Dinamarca e Holanda, capacetes não são obrigatórios – e quase ninguém os usa. E por onde você olha, existem ciclistas. Você poderia argumentar que lá existem ciclovias – e existem, mas não em todos os lugares. O que existe é respeito ao ciclista, e ciclistas nas ruas.

Segurança nos números

Por outro lado, estudos sugerem que, quanto mais ciclistas nas ruas, mais eles estarão seguros.  Não é uma questão de que existe uma chance menor de um ciclista ser atingido (como no caso de cardumes de peixes). A teoria diz que com mais ciclistas nas ruas, motoristas tendem a acostumar-se com sua presença, aprender a lidar com essa pessoa no trânsito e como agir a respeito. Além disso, com mais ciclistas nas ruas, aumenta a chance de um motorista também ser ciclista em outros momentos.  Na Austrália, muitos pedalavam e acidentes aconteciam. O governo resolveu obrigar o uso do capacete e, do dia para a noite, o número de acidentes graves diminuiu 30%. Genial, não? Genial foi que o número de ciclistas nas ruas caiu em cerca de…  30%!!!! Com o tempo, no entanto, o número de acidentes por ciclista nas ruas foi aumentando. Ou seja, a quantidade de ciclistas que se machucava pode ter diminuído em números absolutos, mas aumentou em números relativos. Sem falar em outros riscos associados a uma população menos ativa.

Precisamos mesmo de capacete?

Precisamos mesmo de capacete? (clique para ver ampliado)

Sou mais respeitado de capacete

Eu já pedalei com e sem capacete. E posso dizer que isso não é verdade. Desde que comecei a pedalar sem capacete, as pessoas começaram a me respeitar mais. No mínimo, o respeito é o mesmo. Geralmente quem diz isso nunca saiu sem capacete na rua para testar o outro lado. O que posso dizer é que sou mais respeitado quando estou cycle chic do que quando estou com roupas de lazer. Me parece ser  aquele lance de que “quem está indo trabalhar tem mais direito à rua”.

Cultura do medo

Ver um ciclista de capacete remete a duas coisas: pedalar é perigoso. E de capacete, o ciclista está seguro. Ambas as afirmações são falsas. Pedalar é perigoso às vezes. E o ciclista de capacete está seguro às vezes. Quando resolvi começar a pedalar sem capacete, iniciei em trechos menores (ainda hoje, em trechos longos, que desconheço ou que considero mais arriscados, pedalo com capacete).  Ainda não tinha certeza da minha decisão, até que uma motorista estava passando ao meu lado e gritou comigo “Você pedala aí sem capacete e eu fico preocupada”. Bingo! Eu respondi que não precisava, era só não tirar fina de mim. Ao que ela respondeu: “Mas não tem espaço” e saiu muito brava. Imagina se eu estivesse de capacete? Ela diria: Ah, ele está “seguro”, posso tirar fina. O que não seria verdade, seria? Aliás, se você pedala, conhece essa fina: é a fina educativa, para ensinar ao ciclista que ele não deveria estar ali.

Conclusão

Pedalo sem capacete porque não acho fundamental. Pedalo sem capacete e com roupas “civis” porque quando um pedestre me vir quero que ele pense “que legal que ele está de bike, eu podia estar também” e não “Pedalar é perigoso e eu preciso de um monte de roupas especiais”. Pedalo sem capacete porque acho bonito. Porque quando um motorista me vir ele pode pensar duas vezes nas consequências de uma fina. Pedalo assim porque não uso capacete para andar, para dirigir ou para usar o banheiro. Porque prefiro prevenir acidentes. Pedalo porque me sinto mais seguro assim. Pedalo sem capacete porque eu estou me locomovendo e não praticando esporte – muito menos radical. E se um dia você me vir pedalando de saia Kilt, é porque deve ser mais seguro – e divertido – pedalar assim.

:::

Se você quer saber mais, na Wikipedia existem muitos argumentos contra e a favor sobre o uso do capacete. Qualquer que seja sua escolha, ela será sua escolha e não deve ser imposta por ninguém, nem por mim nem por legisladores. Quer usar o capacete, use. Não quer, não use. O que importa mesmo é que você pedale, divirta-se, curta a cidade e o caminho.

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Comments
37 Responses to “Capacete é coisa que colocaram na sua cabeça”
  1. zeca says:

    Sim, polêmico. No último fim de semana, caí de bicicleta e quebrei a clavícula. Estava sem capacete mas minha cabeça não sofreu um arranhão sequer.

    Mas vc nunca sabe como vai cair, correto? Da mesma forma como dessa vez não bati a cabeça, de outro tombo meu capacete ficou todo arranhado, assim como o resto do corpo.

    É sempre bom lembrar que não são todos os ciclistas que pedalam como eu, vc e tantos outros, sempre de olho no trânsito e procurando se proteger. A maioria do pessoal que pedala não se considera parte do trânsito. Não cumpre com seus deveres. Incentivar o não uso do capacete é uma imprudência. Tudo bem que dificilmente vc vai bater com a cabeça ou que o capacete por si só vai salvar sua vida, mas pode sim salvar. As vezes um tombo bobo, sozinho, pode ser fatal.

    Eu tbm gosto de pedalar sem capacete, acho muito mais agradável, mas acho que isso que você está fazendo é uma grande irresponsabilidade. Pense nisso.

    Uma pena…

  2. Macrobiotico says:

    Já que é pra criar polêmica… (rs)
    A duas semanas levei uma bela de uma fechada em uma rua e minha cabeça direto de encontro com a guia da calçada. Devia estar a uns 20 ou 30km/h. Foi uma daquelas ocasiões em que não tive como prever nada. Só deu tempo de gritar e ver o chão crescendo…

    O que teria acontecido se eu estivesse sem capacete? Não sei, e prefiro não fazer uma experiência científica sem ele pra ver o que acontece. Ah sim, estava de bermuda e camiseta, dessas que o pessoal usa na rua mesmo. =)

  3. Zeca,
    Se você ler o último parágrafo, verá que eu não estou incentivando nada. Estou apenas contando meus motivos e dizendo que só o que acho é que deve ser a decisão de cada um. Quem sou eu para dizer como vc deve ou não pedalar? Outra: se você ler o que escrevi, coloquei diversos motivos pelos quais acredito que pedalar sem capacete pode ser mais seguro do que pedalar com. Não estou sendo leviano, já que cito estudos científicos sobre o assunto. Ainda assim, estou dizendo que o debate sobre o uso do capacete é inconclusivo e, portanto, deve ser decisão de cada um.

  4. Nobre colega,

    Uma irresponsabilidade é incentivar capacetes quando muito melhor são mais pessoas em bicicleta. Fazer terrorismo dizendo que talvez o boné de isopor pode te salvar é prejudicial para alcançarmos o ideal de mais pessoas nas ruas.

    Quer usar capacete, use. Principalmente se você pedala rápido ou por esporte, mas não fique lembrando os outros sobre as milhares de maneiras que sua cabeça pode explodir no meio fio.

    Afinal, o traumatismo craniano é a maior causa de morte de MOTORISTAS e nem por isso quem dirige sem um nas ruas ou estradas é taxado de irresponsável.

  5. Há de se considerar que existem dois tipos de segurança: Passiva e Ativa.
    A primeira evita um sinistro. A segunda diminui as consequências. Tipo ABS e airbag.
    Pra mim, quanto mais segurança, melhor. E nós, ciclistas urbanos, carecemos muito dos 2 tipos de segurança, pela grande covardia que é ter que lidar com os autos lado a lado.
    No mínimo, quando estou de capacete me sinto mais livre pra me concentrar em evitar o que é mais perigoso – autos.
    O capacete atua apenas na segurança ativa, é verdade. Mas acho ignorância chamá-lo de boné de isopor. Basta conhecer um pouco de física pra não desprezar a eficácia do acessório.
    Ainda que esqueçamos as pancadas (o crânio é o único osso do corpo impossível de ser engessado), o capacete já vale pra evitar (como já provei) linhas de pipa, galhos de árvores e batidas pequenas. Coisas que só experimenta quem anda de bike, pois pedestres têm mais tempo de evitar e motociclistas/motoristas se envolvem em tretas maiores.
    Há de se separar o que é atitude e o que é GRIFE comportamental. Disseminar boas práticas é mais importante do que estar bem na fita.

  6. Interessante seu ponto de vista. Uso capacete e mesmo com argumentos “Científicos”, ainda não deixarei de usar. Ando rápido, às vezes no corredor, já levei fechadas e pego avenidas movimentadas. O capacete é indiscutivelmente uma proteção física adicional. É uma proteção psicológica adicional? Os motoristas irão lhe respeitar mais ou menos? Não Sei, mas fisicamente é uma proteção adicional. Os argumentos e estudos científicos não servem para nos dizer o que fazer, pois cada acidente é diferente e a chance de bater a cabeça existe. Recomendo o uso!

  7. zeca says:

    Eu li todo o texto, Vitor.

    Mas vc sabe como é que funcionam as coisas. As vezes o simples fato de vc mostrar um ponto de vista já pode fazer umas cabecinhas mais fracas, da mesma forma como a galera se ilude com a sensação de liberdade mostrada nos comerciais de automóveis.

    Cada um que pedale com bem entender sim… mas bater na tecla da segurança sempre que possível nunca é demais. Mesmo que alguns não queiram usar equipamentos de proteção.

  8. Zeca, aí é que você se engana. O mundo é construído pelas perguntas que fazemos. Qdo você fala em segurança, o que pensa é em risco. E os riscos associados à bike são menores se comparados a não andar de bike. Existem sim riscos, mas com mais ciclistas nas ruas, mais seguro é para todos. E o capacete, como obrigação, é fator de redução do número de ciclistas nas ruas, o que torna a coisa toda mais insegura. É a cultura do medo.

    Então fica fácil de entender: falar do prazer de pedalar = mais ciclistas nas ruas = mais segurança. Falar em capacete e segurança = riscos de pedalar = menos ciclistas nas ruas = menos segurança.

  9. Nobre vitor! Estamos em um momento de transformação sobre a cultura da bicicleta em nosso país! Se vc com todos os argumentos que tem sobre o assunto em questão, apoiado por uma pesquisa cientifica onde trata do mesmo com propriedade, deveria ao mesmo tempo notar que::: vc está tbm induzindo de certa forma no que se refere as aculturações desse assunto! No caso a bicicleta! Mas como estamos em um pais democratico, onde vc pode se expressar livremente, preciso frisar tbmm que:: Se este asunto fosse abordado em outro pais com uma cultura onde a bicicleta entra no contexto, teria lógica seu ponto de vista pois os terceiros respeitam as regras onde o cilista é reconhecido na sociedade. Vc sabia que um ciclista com as roupas e o capacete, reflete ao motorista brasileiro um olhar de respeito e qdo ele vê uma pessoa com roupas e chapéu.. (civil) como vc menciona acima, ele imagina que vc é desinformado e se quer se preoculpa com sua vida e ainda atrapalha o trânsito! Gostaria de lhe convidar para postar esse assunto em meu blog de pesquisas sobre o assunto e lhe mostrar uma vez mais que: Seja por Cultura, aculturações ou científico, vc acabou de entrar em uma infelicidade tamanha! Lembre-se que vc tbm é um formador de opinião, seus questionamentos são ótimos porém não se insere em nossa cultura nacional(Brasil). Gostaria muito de saber sobre os estudos que vc leu e se os mesmos são da américa do sul ou de outras regiões? Caso a sua resposta seja de outra região, então já tenho minha resposta! Sou Pós-graduado em planejamento de projetos e trabalho muito para melhor a cultura sobre as bikes em nosso pais! Não sou cicloativista, mas respeito seu trabalho e ponto de vista, porém! Deixo o meu canal aberto para vc testar e ver como o publico brasileiro se manifestara diante de seu ponto de vista! Isso vai na contra mão de muitos valores onde vc não deve ter pensado antes de escrever com tamanha propriedade sobre o assunto! Por fim, Convido vc e todos que estão vendo essa postagem para conhecer o meu trabalho no seguinte link: http//bikepesquisa.blospot.com sem mais, Gilmar Cardoso.

  10. Neil Antunes says:

    Quem acha que o uso do capacete reduz o número de ciclistas na rua, talvez deva pensar se o número de mortes por traumatismo crâniano, que a mídia certamente irá divulgar de forma insistente, não afastará ainda mais ciclistas da rua.
    Nada alimenta mais a indústria do medo do que fatalidades envolvendo cidadãos indefesos, devemos sim é sair da passividade, NÃO TENHO VOCAÇÃO PARA SER VÍTIMA.

  11. Phil says:

    O unico capacete que eu realmente acho que vale a pena é o de cros country.

    Esses marretas de isopor que só cobrem o “tampo” não adiantam nada!

    É a mesma coisa que os motociclista que usam capacete coquinho. Não serve de nada!

    Vou dar uam exemplo eu nunca use capacete porem um dia dei de frente com um carro me esfolei todo menos a cabeça. Porém após isto fiquei com receio de pedalar sem um capacete

    O que aconteceu no primeiro dia de capacete novo?!

    Fui fechado, xingado e no fim do dia atropelado novamente.

    Tive MENOS respeito e MENOS atenção.

    Desde então só pedalo sem capacete e acreditem as pessoas(motoristas) me repeitam mais!

  12. zeca says:

    Capacete é segurança… assim como luva e óculos apropriados. Itens básicos. Ótimo que numa queda não usemos todos eles (ou talvez nenhum), mas eles estão ali para proteger. Embora esses itens não tenham sido projetados pra proteger dum atropelamento de jamanta, são peças que ajudam a proteger o ciclista numa provavel queda.

    O unico argumento que não consegui engolir foi esse da cultura do medo. Isso vai além do pedalante… respeito é respeito e deve existir em todos os lugares, seja no banco do motorista ou no selim. E todos nós sabemos que não é um capacete (ou a falta de um) que vai fazer mais ou menos pessoas pedalar. O que vejo é exatamente o contrário: a admiração das pessoas ao ver que tu é alguém preocupado com tua segurança. Vejo isso mais como um exemplo a dar e ser seguido.

    Não sei quanto aos outros, mas em mim ao menos, usar capacete produz uma sensação de segurança pois sei que se cair, não vou me machucar tanto.

    Embora continue preferindo não usar.

  13. Lex Blagus says:

    Vitor, meu querido,

    Nem havia terminado de ler seu artigo e o já achei soberbo. Também não pedalo de capacete, por questões inicialmente estéticas e ultimamente de conforto, mas me incomoda não ter moral para criticar um motorista que fizer uma cagada por estar sem com o respectivo boné de isopor. Imagino a cena: grito “olha o farol!” para um motorista daltônico e ele me grita de volta: “olha o capacete!”. Não há tempo para chá e biscoitos acompanhados de uma looonga discussão que farol é proibido, capacete é facultativo.

    A não ser que tenhamos uma pesquisa séria, feita de forma imparcial, que mostre em números o quanto que os motoristas respeitam mais ou menos um ciclista com seu devido capacete bem como suas roupas de spandex (ops), a polêmica vai continuar. Isso também vale para os acidentes: quantos deles foram fatais, quantos graves e qual parte do corpo do ciclista foi escangalhada. Se não me engano, com o cinto de segurança para o motorista e o capacete para o motociclista isso foram bem demonstrados matematicamente.

    Eu não formo opinião sobre o assunto porque acredito que não temos em mãos dados o suficiente para conclusões. Falar sobre as sensações de estar mais ou menos seguro com seu uso também é muito subjetivo. Dado este fato, concordo com seu bem escrito artigo que esta é uma questão pessoal e deve ser deixado bem claro aos novos ciclistas que o que existe é uma polêmica em torno disso, mas nada conclusivo.

    fortes abraços e boas pedaladas com a cabeça ao vento

  14. Obrigar o capacete só faria sentido se os próprios motoristas fossem, de fato, obrigados a cumprir as leis que prescrevem respeito e que pretendem proteger a vida.

    E aí, o capacete já não seria mais tão necessário.

    No Brasil de hoje acho que ele é necessário em alguns momentos, mas também discordo de estabelecer uma cultura de bike em bases agressivas e usando o perigo como premissa.

  15. @Gilmar
    “Vc sabia que um ciclista com as roupas e o capacete, reflete ao motorista brasileiro um olhar de respeito e qdo ele vê uma pessoa com roupas e chapéu.. (civil) como vc menciona acima, ele imagina que vc é desinformado e se quer se preoculpa com sua vida e ainda atrapalha o trânsito!”

    Como eu disse, a evidência que tenho é empírica, assim como a sua deve ser. Não existem pesquisas nesse sentido no Brasil, e você afirmar que é assim é um pouco de exagero também, não? Não vejo pq ele acharia que sou desinformado. O que há em desinformação em não pedalar de capacete, já que não é item obrigatório?

    “Seus questionamentos são ótimos porém não se insere em nossa cultura nacional(Brasil).”

    Fica difícil dizer que não se inserem se eu só pedalo no Brasil e, principalmente, em São Paulo. Ainda que eu tenha informação de outras “culturas ciclísticas”, eu me baseei no Brasil mesmo.

    “Isso vai na contra mão de muitos valores onde vc não deve ter pensado antes de escrever com tamanha propriedade sobre o assunto!”

    Gilmar, seria interessante que você descrevesse esses valores que não levei em conta. Veja, essa posição minha não é leviana, foi criada a partir da minha experiência, da leitura de pesquisas e de tentativa e erro. Não acho que tenho a razão, até pq deixei claro que essa é uma questão polêmica no mundo todo. Se você der uma olhada, vai ver que linkei diversos estudos e opiniões nesse texto. Dê uma lida e seja bem-vindo a voltar e argumentar. Quem sabe podemos aprofundar a conversa?

  16. Neil,
    Boa parte dos ciclistas urbanos pedalam sem capacete. Não vou quantificar, mas creio que a maioria deles, inclusive. Isso não aumenta absurdamente o número de traumatismos cranianos. E só o que estou dizendo é que a OBRIGAÇÃO do uso diminui o número de ciclistas, pq passa a mensagem de que pedalar é perigoso (e não estou dizendo que não tem seus riscos).

    Veja exemplos aqui: http://www.transporteativo.org.br/Temp/ctcc_90.pdf e aqui: http://picasaweb.google.com.br/jglacerda/ContagemPaulista190108#

  17. @Zeca,
    O que estou dizendo sobre a cultura do medo é que obrigar o uso do capacete faz com que as pessoas pensem no risco e não nas vantagens de pedalar. Sua experiência é diferente da minha no sentido do respeito. E claro, essa experiência é subjetiva, embora eu sinta sim a diferença entre pedalar com “cara de trabalho” e pedalar com “cara de lazer”. Quanto ao capacete, não dá pra saber ao certo e me baseei na pesquisa que cito, feita na Inglaterra por um psicólogo, bem como nos meus estudos em propaganda ideológica e comunicação de riscos.

    Só achei engraçado você dizer que se sente mais seguro de capacete mas prefere pedalar sem.😉

    Se é o que estou pensando, pra mim é interessante: sem capacete eu me arrisco menos no trânsito, justamente por não ter essa sensação (que creio falsa) de segurança.

    @Verônica
    Discordo que obrigar o capacete “só faria sentido se os próprios motoristas fossem, de fato, obrigados a cumprir as leis que prescrevem respeito e que pretendem proteger a vida.” Obrigar o uso do capacete não tem, a meu ver, ligação direta com a obrigação de que os motoristas cumpram as leis, muito embora acredite que a fiscalização e o respeito sejam condições fundamentais para a segurança do ciclista. Pq atrelar uma coisa à outra não?

  18. olha..
    adorei seu texto vitor..
    hoje concordo bem mais com suas palavras!
    tirei a capa de ‘medo’ que vestiram em mim e compreendo todos os argumentos!
    ja comecei a pedalar sem capacete,
    precisa mais atenção, mais cuidado
    e isso é bom!
    ciclista muito seguro de si só faz cagada!
    e provei desse mel “fica ai sem capacete e dpos quando cai a culpa é minha!”
    MAS É SUA!

    sou a favor da segurança pela segurança
    uso capacete quando acho que devo usar
    e ninguem tem nada a ver com isso

  19. JuM says:

    Vitor

    é, você escreve super bem, super cheio de argumentos, super super.
    mas eu tenho medo, bastante medo, e ainda acho que não da pra prever como vou cair, se algo acontecer.
    e eu sou adepta do slow bike, fico muito atenta o tempo todo, todas essas coisas que você disse ai.
    mas penso: SE cair, SE for de repente, SE minha cabeça for direto na guia… SE meu destino não for similar ao da Marcia… não vou ter duas chances, entende? e não quero virar um vegetal, e eu acharia lindo poder pedalar com os cabelos ao vento sem peruca loira mas não vou arriscar. Não em SP.

    eu tento não encher o saco de quem resolve pedalar sem o capacete, mas eu fico rezando pra num acontecer nada.
    e eu nem rezo.

    é isto.

  20. Joana Rocha says:

    Com ou sem capacete, eu acho que a questão vai além da segurança. É questão de respeito e educação. Não só por parte do motorista de carro, mas do ciclista também. E, assim como tem muito motorista grosso por aí, tem muito ciclista maleducado também.

  21. Capacete, Segurança que você coloca na sua cabeça!
    Não se deixe enganar.

  22. Gisele Brito says:

    Vc usa camisinha?

  23. Olá, Gisele, não entendi sua pergunta.

  24. Lou says:

    Ei, que massa ler um texto que dialoga com as duas posições sobre o uso do capacete!
    E mesma já usei e achava que todo mundo tinha que usar.
    Eu mesma já me meti em alguns acidentes envolvendo bicicleta – carro – chão e bicicleta – pedestre – chão. Nunca bati com a cabeça no asfalto. E se tivesse batido, teria machucado o queixo (que o capacete de ciclismo não protege).
    Deixei de usar o capacete depois de morar na Holanda por um ano.
    Legal que você contempla o assunto dos dois lados e assim matém o seu caráter polêmico.

  25. Amoreira says:

    Opinião é igual bunda. Cada um tem a sua. Em uma terça-feira de outubro de 2009, fui atropelado na contramão por uma motorista ao celular. Jogado pro alto, (um tombo louco), fui com a parte superior da cabeça de encontro ao asfalto. Graças a Deus estava de capacete. Talvez eu não tivesse tido sequelas ou me machucado, mas fico feliz que o capacete tenha me deixado só com as dúvidas do que teria ocorrido se eu não estivesse usando. Ao me verem pedalando de capacete, que os pedestres e jovens pensem quem pedalar é algo que exige atenção e respeito consigo e com o próximo.

  26. Luiz says:

    Bom no caso de capacete vai de cada um já cansei de ver Lance Armstrong pedalando sem capacete de Marco Pantena também somente com um lenço na cabeça, isso vai de cada um, mais eu uso sempre e não usava mais como onde moro é muita serra resolvi usar ainda mais que cai um tombo de bike usando o capacete e rasguei toda a roupa no asfalto luvas e estava a 72kmh o acidente foi feio, mais a primeira parte do meu corpo que teve contato no asfalto na queda foi a cabeça e o capacete esta para quem quiser ver como ele ficou… mais minha cabeça não sofreu nada, mais o resto do meu corpo se arranhei tudo inclusive tenho fotos de tudo pois estava filmando a descida na hora do acidente…mais isso vai de cada um… abraços a todos.

  27. Olá, Luiz. Ainda bem que vc está inteiro. Mas é isso: pedalar a 72 km/h na serra não é algo que eu aconselho fazer, ou faria, sem capacete. Eu pedalo a uns 15 km/h, o que é BEM diferente. Abraço.

  28. Gunnar says:

    Algumas das pessoas que vieram contraargumentar não sederam conta de uma coisa; os argumentos não são anti-capacete. São contra a OBRIGATORIEDADE do uso do capacete.

    Eu tenho fases em que uso e outras em que não uso. Fui atropelado quando usava, me quebrei inteiro e o capacete não sofreu um arranhão e não me ajudou em nada. Quando sarei das fraturas, voltei a pedalar… e sem capacete.

    A questão é: deixem cada um fazer o que achar melhor para si. Tem coisa muito mais importante do que capacete pra garantir a segurança do ciclista no dia-a-dia (ser mais rápido que os carros, p.ex.), mas eu não fico enchendo o saco das pessoas que não o fazem, cada um com seu cada qual.

  29. Fabricio says:

    Infelizmente nao e deixando de usar o capacete que voce vai vencer o preconceito.

  30. Carlos R. says:

    Cada um faz o que acha…

    Mas como já vi uma pessoa ser salva por um capacete, quando caiu e bateria a cabeça em um meio fio… Continuarei a andar com ele, pois pode ser que 0,01% das pessoas são salvas por capacetes, mas mesmo assim é uma proteção…

    E sinceramente depois que comecei a andar com capacete, tive menos problemas com motoristas de quando andava sem… Neste 3 anos e meio que ando com capacete tive 4 situações em que alguem me cortou a frente ou passou por um fino…

    Mas cada pessoa faz o que quer…

  31. Guilherme Mendes says:

    Antes de tudo, parabéns pela iniciativa de tratar do tema. Com certeza você pensou muito antes de escrever/publicar o texto já antecipando a polêmica…

    Concordo que o capacete não protege da enorme maioria dos acidentes, mas vai que aqueles poucos na estatística aconteça comigo?

    Entendo e respeito que não usa, assim como concordo que o item não precisa ser obrigatório.

    Uso o capacete com frequência e já percebi por diversas vezes mais respeito, tanto por parte de motoristas quanto de pedestres, na rua ou ciclovia, seja aumentando a distância ou dando preferência.

    A impressão que tenho é que ao usar o capacete ajudo na compreensão/educação das pessoas ao perceberem que a bicicleta também é um meio de transporte, precisa ter seu espaço e deve ser respeitada.

  32. Ze Lobo says:

    Excelente texto!
    Este link da ECF complementa com alguns dados bem interessantes e muita credibilidade:
    http://www.ecf.com/3675_1
    Clique pra baixar o PDF.

    Parabéns
    Zé Lobo

  33. Yehuda é mesmo mto bom.🙂

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