Copenhague e o suicídio coletivo

Cortesia de (very busy) ~M~, via Flickr

Primeiro, uma confissão: não acompanhei a COP15 de perto. Sinceramente, a parada é chata (é importantíssima, mas não dá pra ficar seguindo como se fosse final de Copa do Mundo). Como acontece muitas vezes, prefiro deixar esse tipo de cobertura para outras pessoas fazerem – e focar nas conexões que considero importantes. E, a verdade, é que não aconteceu muita coisa mesmo, não é? Muito Mise-en-scène e pouca resolução.

Mas o motivo desse post é outro. A @vmambrini comentava que devíamos fazer um suicídio coletivo pra salvar o planeta. Pensando no assunto, percebi que ela estava é muito errada. Não devemos fazer nada disso. Já estamos fazendo.

A diferença é que, ao contrário do suicídio tradicional (com pílulas, gás, ponte), estamos realizando um suicídio coletivo crônico, devagar, devagarinho. Emitindo CO2 e outros equivalentes, poluindo o solo, a água e o ar, matando 150 espécies de animais por dia. Enfim, fazendo tudo isso que estamos cansados de saber –  mas não a ponto de reagir,.

Para as gerações anteriores, as mudanças climáticas eram uma espécie de assassinato temporal, em que o alvo eram as gerações futuras. Mas como o cigarro nos anos 30, ninguém sabia o mal que estava causando. Para a geração atual, é suicídio. Porque o horizonte agora é de 30 a 50 anos. Ou seja: muita gente que já está por aí vai ver nosso planeta pedir arrego. E aí fica aquela coisa: a inação, no nosso caso, é o pior dos caminhos.

Mas, afinal, quem tem pressa de morrer, não é?

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