Cidades e Soluções Especial

Cidades e SoluçõesDaí que eu fui convidado a participar do Cidades e Soluções Especial Meio Ambiente, em comemoração aos 100 programas gravados e 3 anos no ar. O programa girou em torno de 4 grandes temas da sustentabilidade: água, lixo, energia e construções sustentáveis. A idéia era discutir esses temas com dois especialistas convidados, Sérgio Besserman e Eugenio Singer, a partir de perguntas feitas pela platéia e por internautas.

Minha pergunta foi uma das escolhidas e eu indaguei sobre os melhores meios para se fomentar as construções sustentáveis, se por meio de legislação obrigue as mudanças ou incentivos que premiem quem faça algo. A pergunta foi inspirada por este vídeo de Barry Schwartz sobre a perda da sabedoria prática e como os incentivos e leis exagerados deram origem a muitos dos problemas atuais. Além disso, pensei neste artigo por Donella H. Meadows, sobre os 12 pontos de alavanca para intervir em um sistema e alterá-lo. Já tratei desse assunto, de maneira diferente, neste post sobre Conexões, em que convidei os leitores a refletir e comentar sobre o assunto. Me parece que o post não fez muito sucesso, mas o Denis Russo, do Sustentável é Pouco, acabou escrevendo um ótimo post sobre o assunto: Como melhorar o mundo.

Cidades e SoluçõesPara ser sincero, não fiquei muito contente com a resposta dada. Achei que ficou meio no ar, e senti que o que eu perguntei não foi efetivamente respondido. Tudo bem, é mesmo difícil de saber a melhor saída nessas horas. O que me incomodou mesmo foi o que foi falado no bloco sobre energia.

Primeiro, o consultor Eduardo Singer diz que o petróleo do pré-sal vai ajudar a resolver o problema do Diesel Limpo, já que tem menor teor de enxofre. Pra mim, soa a heresia. O problema do Diesel Limpo é outro, e eu não vou me estender num assunto que já falei antes. De qualquer maneira, por mim o pré-sal era logo fechado e deixado lá, mas são outros quinhentos. Por coincidência, o Denis Russo falou sobre o pré-sal ontem. Leiam, porque vale a pena.

Depois, veio uma pergunta sobre o trânsito, e o economista Sérgio Besserman disse que bicicleta é uma opção “onde for viável”. Bem, viável vem de via, será q foi essa a idéia? Onde tiver uma rua pode entrar bicicleta? lol. Mas tudo bem, ele falou coisas interessantes, como a necessidade de investimento em transporte público, restrição aos automóveis (pedágio urbano, extinção de vagas no centro), a necessidade de home offices e o uso da tecnologia para diminuir a necessidade de mover pessoas quando se pode transportar dados. Mas aí começa o absurdo: “seria maravilhoso que todo mundo pudesse ter um carro e andar à vontade pela cidade”. Pelo menos ele diz que isso já não é possível, que esse tempo “passou” (se é que algum dia foi, não é?).

Calma, piora.

Eduardo Singer, que lembra de um certo banco, ao falar que SP é uma cidade 30 horas, comenta que é “necessário promover o transporte solidário” e permitir que faixas exclusivas para ônibus sejam liberadas para quem dirige com um carona. Confesso que, nesse momento, foi difícil não levantar a voz e proclamar a bobagem que estava sendo dita, mas fiquei quieto, fazer o que, e faço minha crítica aqui. Carona solidária nunca foi nem nunca será solução, é um mero paliativo, vendido por montadoras mas sem resultados efetivos. Pior: é uma péssima idéia tirar ainda mais espaço do transporte público para cedê-lo ao individual motorizado, como você pode se lembrar neste post.

Críticas à parte, o programa fala sobre muitos assuntos interessante e esclarece diversos pontos sobre os temas abordados. Se você leu até aqui e quer assistir ao especial do Cidades e Soluções, é só clicar aqui, para a primeira parte, e aqui, para a segunda parte. Eu sou o último a perguntar. Na dúvida, é só procurar a pessoa que se confunde e acaba gaguejando.😉

Comments
3 Responses to “Cidades e Soluções Especial”
  1. Matias Mickenhagen says:

    Concordo com suas críticas, interessante pensar em como são selecionados os chamados especialistas… como eles se movem, de coletivo, de bici?
    Ir a eventos assim às vezes é frustrante pois dá vontade de perguntar “E ai pessoal, quem veio de bumba?” bem maloca mesmo, só pra tirar uma onda.
    Valeu pelo post, muito bom!

  2. s. says:

    Carona tomando lugar de ônibus é estupidez mesmo, mas daí a dizer que não tem seu valor… não sei. São Francisco tem um programa legal de carona, os “car-poolers” pagam pedágio mais barato e podem usar uma faixa exclusiva (que não é dos ônibus), e em todo canto existem blosões para os carros pegarem e deixarem os caronas sem atrapalhar o trânsito. Precisa muito planejamento e força de vontade para fazer as coisas bem feitas…

  3. marta rutghelly says:

    umhuuuuuuuuuuuummmmmmmmm!!!!!!!!!!!!

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