A importância de não desistir

Foto cortesia de Stoper via Flickr

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Às vezes dá vontade de desistir de lutar. Parece que cada pequeno gesto é insignificante, não vale nada, é menor que a poeira deixada por um grão de areia. Afinal, de que adianta, por exemplo, levar a própria caneca para o trabalho para economizar copinhos plásticos, se no caminho passo por pelo menos quatro estabelecimentos varrendo a calçada com mangueira?

Às vezes dá vontade de desistir, de deixar pra lá. Mas então acontecem coisas que restauram nosso ânimo. Pequenas vitórias que nos fazem seguir em frente, que nos motivam.

Domingo foi um desses dias. Eu não estava lá. Mas muita gente estava. E eles vieram contar as boas novas. São Paulo, finalmente, deverá ter uma coordenadoria de bicicletas dentro da Secretaria de Transportes.

Parece tão pouco. Mas, na verdade, é um passo enorme.

Começando do começo: no domingo, o cicloativista André Pasqualini deu uma palestra para motoristas de ônibus. O evento tinha por objetivo alertá-los para o perigo que eles podem representar para os ciclistas (como no caso do Vitor, que sofreu um acidente há pouco tempo), e foi seguido de uma pedalada em volta do Parque do Ibirapuera.

Só essa palestra, e o fato de ter havido um canal de diálogo direto com os senhores que dirigem os ônibus dessa cidade, já seria um grande avanço. Mas o fato é que uma das autoridades presentes, o secretário de Transportes Alexandre de Moraes, assumiu publicamente o compromisso de criar uma coordenadoria de bicicleta dentro da pasta dele. E isso não foi só um avanço. Foi um acontecimento histórico.

Antes, havia apenas uma coordenadoria de bicicleta em São Paulo: o Pró-Ciclista, ligado à Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Eles fizeram muitas coisas para fomentar o uso de bicis na cidade. Mas o fato é que o orçamento da secretaria é menor, e ela não têm autoridade para licitar obras, o que faz com que toda melhoria que queiram fazer tenha que ser em parceria com outras pastas. Assim, por exemplo, a ciclovia da Radial Leste foi feita em conjunto com o metrô.

E porque a passagem para a pasta de Transportes é uma notícia tão auspiciosa?

Ora, é que bicicleta não é (só) brinquedo. Bicicleta não é só lazer. Bicicleta é meio de transporte, a forma escolhida por pelo menos 300 mil paulistanos para chegar a seus empregos todos os dias.

O fato de a bici integrar a pasta do Verde mostrava exatamente como era vista pelo governo: como brinquedinho, passatempo, coisa de final de semana, de parque. Tanto que metade dos pífios 30 km que temos de ciclovias é em parques.

Agora, na pasta dos Transportes, passará (esperamos!) a ser vista com a seriedade que precisa. A partir de agora, será mais fácil coordenar a inclusão de ciclovias e ciclofaixas nas ruas, criar um planejamento cicloviário que funcione.

Como o Benicchio, do site Apocalipse Motorizado, disse outro dia, no Twitter: a diferença entre a bicicleta estar na pasta do Verde ou na de Transportes é a mesma entre “iniciativa” e “política pública”. Antes, a bike era alvo de bem-intencionadas iniciativas, que serviram a seu propósito e ajudaram a colocar o assunto na pauta. Agora é hora de ir para as políticas públicas. É tempo de crescer, de tratar o assunto como gente grande. Criar uma política efetiva para o tema.

Essa pequena vitória é resultado da luta de muitos. Dos cicloativistas que lá estavam presentes, e de outros, que vieram antes. De todo mundo que se anima a pedalar, seja na última sexta do mês, na Bicicletada, ou todo dia, indo para o trabalho. É por isso que me animo: afinal, toda a luta dos ciclistas parece não ter sido em vão.

Pode ser que dê errado, claro. Pode ser que o secretário não cumpra a promessa, que os funcionários da coordenadoria não tenham boa vontade, que tudo seja apenas uma manobra demagógica. Mas aí estaremos todos aqui, prontos para cobrar, fiscalizar. Afinal, faz diferença. Tudo o que você faz, pelo planeta, pelos outros, sempre faz diferença. É bom lembrar disso, quando estamos prestes a desistir: tudo que fazemos sempre importa.

Comments
5 Responses to “A importância de não desistir”
  1. Chan says:

    A pedalada é longa e devemos continuar! Devagar e sempre!

  2. Nicolas says:

    Este post caiu como uma resposta para mim, a pouco um amigo meu, estava a dizer que o assunto abordado no meu blog, era um tanto chato, que ninguem da muita atenção para assuntos relacionados a natureza, e que eu devia sei la falar sobre carros, tv, ou algo que fosse mais interessante.
    Aquilo para mim, foi como ver um sonho e uma meta sendo destruida, ja que meu blog esta como recem nascido.
    E agora em meio a minha pesquisa aqui estou, e digo com siceridade que saio daqui com minha dedicação reforçada!
    Muito obrigado!

  3. Leêh says:

    gostei pois me ajudou em um trabalho

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