Externalidades Positivas

Um dos 10 melhores lugares públicos nos EUA/Canadá

Um dos 10 melhores lugares públicos nos EUA/Canadá

Já falei sobre externalidades antes por aqui. Neste post, explico o que significa o termo, mas tocando no assunto do ponto de vista negativo. Agora, gostaria de explicar o proverbial outro lado da moeda: a externalidade positiva.Esse conceito é até bem simples, o que não significa que seja fácil de entender. Eu mesmo demorei algum tempo para realmente compreendê-lo. Colocando de uma forma objetiva, é quando o benefício de uma ação excede seu custo. Ah, mas não é tão simples como uma negociação. A bem da verdade, a externalidade positiva é algo extremamente difícil de se calcular, porque os valores envolvidos são muito subjetivos.

Vou tentar exemplificar. Quanto custa um aluno na escola para os cofres públicos? Depende da série, mas considerando esta reportagem da Gazeta Mercantil, em 2004, um aluno no ensino fundamental tinha um custo médio de US$ 967,00 por ano. Sim, só isso. É claro que, multiplicando por todos os alunos do ensino fundamental, é uma grana razoável.

Mas continuemos: quanto custa para a sociedade um adulto iletrado, incapaz de realizar trabalhos mais complexos ou de ler as instruções mais simples? Quanto custa um adolescente que não estudou, não vê opções de futuro e, na definição de risco social, pode ter um filho que não será capaz de sustentar, pode se tornar um bandido ou simplesmente viver na pobreza para o resto da vida?

Esse cálculo ainda é possível, somando as probabilidades desse rapaz ir para a prisão, os custos que ele gerará, ou a riqueza que deixará de produzir para o país. Na Austrália, por exemplo, fizeram os cálculos de quanto investir em uma estrutura cicloviária trazia em economia nos gastos com a sáude (ou falta de) da população. O número é assombroso: mais de 200 milhões de dólares australianos. Mas responda outra pergunta:

Quanto vale uma vida desperdiçada?

Quanto vale a independência financeira de uma pessoa?

Quanto vale a felicidade?

Viram como é subjetivo? Se você está doente e toma um remédio, fica bom. Quanto custou a cura? O preço do remédio mais as consultas no médico. Mais o que você ganhou com isso? A possibilidade de viver melhor. Quanto vale o bem-estar proporcionado por um jantar com os amigos? Ou o custo de ver quem você ama sorrir quando você tira uma flor detrás da orelha dela? Ah, ok, agora tá ficando subjetivo demais. O que eu quero dizer é que não dá pra medir essas externalidades positivas – simplesmente porque nem tudo tem preço ou pode ser valorado.

Só quando entendi a externalidade positiva pude entender o que o urbanista Ciro Pirondi quer dizer neste vídeo quando fala que as cidades não tem custo. Oras, quanto vale (não quanto custa) a população sentir-se orgulhosa do lugar em que vive? Quanto a população ganha quando uma ponte que liga um trânsito ao outro é construída e quanto ela ganha quando uma praça degradada torna-se espaço de vivência da comunidade?

Alguns meses atrás eu fui dar uma volta pela cidade com alguns amigos e nos deparamos, lá no Pateo do Colégio, com um piano deixado por um artista. “Toque-me, sou teu”, dizia a inscrição. Começaram a tocar e os moradores de rua, que tomavam sopa nas imediações, começaram a pedir bis, bater palmas. Logo, um deles chegou com um violão e faz uma Jam Session, seguida por música própria.

Eu me lembro de achar aquilo tudo muito incrível e pensar: caramba, preciso sair mais de casa. Pois é, alguém pode me dizer quanto custou e quanto valeu aquela noite?

Assista, abaixo, ao vídeo desse dia, gravado e editado pelo Marcelo Siqueira – Bike Reporter da Eldorado.

E quanto vale um abraço?

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A imagem que ilustra este post é um print screen do vídeo produzido pelo StreetFilms sobre a praça em questão. Assista ao filme aqui (vai lá, tem 1 minuto só)

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