Teclados a serviço do mal

© Greenpeace
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Que bandidos de toda estirpe usam os mais variados subterfúgios para enganar polícias e governos, todos sabem. Mas essa é nova para mim. Segundo o Greenpeace, um grupo de hackers foi contratado por madeireiras no Pará para gerar permissões de desmatamento irregulares. Assim, elas conseguiram vender a madeira no sul do país.

Pois é. Se você achava que, para desmatar, bastava uma Serra Elétrica e uma extensão bem longa </Massacre da Serra Elétrica>, a coisa não é tão simples. Na verdade, para evitar o desmatamento desenfreado, foi criado um sistema eletrônico de licenças de derrubada da mata. Assim, uma madeireira tem 20 toneladas (por exemplo) para derrubar. A cada caminhão que sai da floresta, o sistema online retira os créditos da empresa. Quando chega a zero, a madeireira fica em casa, chupando o dedo.

Exceto que não fica, não é? Como eu disse lá em cima, e repito aqui, “bandidos de toda estirpe usam os mais variados subterfúgios para enganar polícias e governos” (não sei vocês, mas poder usar estirpe e subterfúgios no mesmo post e mais de uma vez me faz uma pessoa feliz). Pois bem, esse pessoal que não podia mais desmatar contratou aquele pessoal que entra nas máquinas dos outros para fins destrutivos (não vou entrar em definições dos termos, mas não acredito que tenham sido hackers mesmo, conheça as definições aqui) e embaralharam tudo.

Isso fez com que o pessoal que derruba pudesse vender para o pessoal que compra “legalmente”. O resultado? 107 madeireiras e carvoarias e 1,7 milhão – repito, milhão – de metros cúbicos de madeira derrubada ilegalmente. O esquema é complicado, mas o Ministério Público está investigando desde abril de 2007. Até agora, já as multas aplicadas passam de R$ 2 bilhões de reais.

Não vou entrar em mais detalhes, você pode entender tudinho nesta matéria do Greenpeace. O que eu quero mesmo saber é se esse pessoal será punido – e se as multas serão pagas. Porque cobrar R$ 750,00 de uns ciclistas de Curitiba, que pintaram uma ciclofaixa em uma rua da cidade, alegando crime ambiental é fácil (queria entender como pintar o asfalto é crime ambiental. Na época da Copa devia todo mundo ir pra cadeia não?). Mas quando o assunto são bilhões e crimes de gente grande, acaba tudo na famosa redonda.

Leia mais no site do Greenpeace.

Sobre a ciclofaixa de Curitiba. Apocalipse Motorizado

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Imagem cortesia e Copyright Greenpeace.

Comments
2 Responses to “Teclados a serviço do mal”
  1. Realmente é um absurdo. E se as pessoas acharem que a solução é somente jogar a culpa no governo, aumentar fiscalização ou trocar quem está no poder, estão enganadas.

    É preciso que a gente comece a cuidar do nosso próprio quintal, rua, bairro…

    Ninguém sabe o que a gente precisa melhor do que nós mesmos !!!

  2. Caim says:

    Creio que além da total falta de responsabilidade desses donos de madeireiras, que acreditam que os recursos são infinitos, faltou também um pouco de investimento na modernização do serviço de fiscalização online. Dificilmente um hacker, ou qualquer coisa do tipo, entra num sistema sem que esse não tenha falhas.

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