Termodinâmica da sustentabilidade

Você se lembra de quando costumava dormir nas aulas de física? Pois é, lá da segunda lei da termodinâmica vem um conceito muito interessante: a Entropia. “A quantidade de entropia de qualquer sistema isolado termodinamicamente tende a incrementar-se com o tempo, até alcançar um valor máximo” . Trocando em miúdos, conforme o tempo passa, a eficiência dos sistemas diminui, já que as perdas vão se acumulando. Você pode dizer que, na verdade, as novas tecnologias a eficiência aumenta, mas não é bem assim que funciona. A entropia é o acumulado geral e, para que isso acontecesse, a gente teria que, eventualmente, obter uma eficiência de mais de 100% para parar esse processo. Como isso não é possível (taí a lei que não me deixa mentir), é preciso alimentar o sistema com mais energia. Não, não é um conceito simples, eu demorei pra entender também. Continue a leitura e talvez eu consiga explicar com mais clareza.

O grande lance da entropia é que o Prêmio Nobel economista, que não ganhou o Prêmio Nobel mas era queridinho-no-meio-até-então, Georgescu-Roegen (Jorgê para os íntimos) fez algo que causou balbúrdia nos outros economistas, que prontamente o renegaram: aplicou o conceito aos sistemas econômicos. Até então, todo mundo pensava (ainda se pensa assim, se você estudou o assunto vai perceber) que os sistemas econômicos eram moto-perpétuos. Você pega um recurso natural, “transforma” em dinheiro e o dinheiro gera mais dinheiro e assim por diante, infinitamente. E teoricamente daria para reverter o processo lá no fim, retroalimentando esse sistema. Só que as coisas não funcionam bem assim. Ainda que fosse possível reciclar 100% do alumínio de uma lata – o que economiza 95% da energia necessária para fabricar uma lata do zero – ainda teríamos que injetar esses 5% de energia no sistema, sem falar em todos os outros processos envolvidos. Ou seja, conforme vamos transformando insumos em produtos, e trocando por dinheiro, esses produtos vão virando resíduos. E os resíduos vão se acumulando. Eventualmente, acabam os insumos e ficamos sem ter o que transformar em novos produtos.

Dói, dói a cabeça. Tudo isso eu tentei explicar para poder indicar um artigo que saiu na Agência Fapesp há algumas semanas. Considerando que não sou nenhum especialista nisso, vou passar a palavra adiante, e deixar que ele fale por si só. Mas cuidado: o conhecimento não tem volta.

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O matemático e economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994) ficou conhecido por aplicar à economia o conceito de entropia, emprestado da termodinâmica. Ao mostrar que as concepções tradicionais da economia pecavam pelo extremo mecanicismo, o autor foi um dos precursores da chamada economia ecológica.

Um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) mostra que as idéias de Georgescu-Roegen, hostilizadas por muito tempo na academia, podem ser fundamentais para o debate atual sobre o desenvolvimento sustentável e sobre os problemas relacionados à energia e ao meio ambiente.

Vale, e muito, a pena ler. Continua neste link»

Comments
3 Responses to “Termodinâmica da sustentabilidade”
  1. Silvia says:

    Vitor, eu já tinha lido esse artigo no blog do Hugo Penteado e da Claudia Chow, o Nosso Futuro Comum (http://nossofuturocomum.blogspot.com/). O Hugo é economista e seguidor do Roegen, e tem umas colocações ótimas. Se você não conhece, vale a pena conhecer.

  2. Carlos says:

    Amigo, Georgescu-Roegen nunca ganhou o nobel.

  3. Ops, corrigido. Obrigado, Carlos.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: