Por uma vida menos impressa

impressaoExistem pessoas que tem quase fetiche por papel. Minha tia, que é artista plástica, diz que sempre gostou de mexer com tintas, papéis e tecidos. No meu caso sempre foram os livros os grandes atrativos. Pegar um livro novo, direto da livraria e ser o primeiro a abri-lo, a lê-lo. É quase mágico: parece que você é a primeira pessoa a descobrir um novo mundo, ainda fresco, úmido. Mesmo que ele tenha algumas dezenas de anos. E aqui já confesso mais um pecado ambiental: não gosto muito de livro de sebo – prefiro os novos e intocados. A Renata pensa diferente: se o livro já tiver pertencido a alguém é como se a história fosse mais rica. Se você for presenteá-la, aproveite e procure um que tenha dedicatória.

Na minha linha de trabalho, o que não falta é desperdício de papel, impressões desnecessárias. Imprime-se o “briefing” só para ter na mesa. Imprime-se o histórico de campanha. Imprime-se as referências. Imprime-se as chamadas para os outros olharem. Imprime-se e-mails, imprime-se papéis para ir na reunião. E isso só falando do trabalho de criação publicitária. Na hora de escrever um texto, conto ou afim, a coisa não fica muito diferente. Você acaba imprimindo um monte de coisa desnecessária, às vezes só pra se organizar mentalmente, ou para ver como fica no papel e revisar. O fato é que, na maioria das vezes, não é preciso imprimir nada. Se você se esforça um pouquinho acaba se acostumando a ler tudo na tela.

Assim como na questão das sacolinhas plásticas e do isopor, alguns meses atrás eu comecei um experimento: parar de imprimir. Só imprimo o estritamente necessário, e ainda penso duas vezes – e uso os dois lados do papel. Tudo para ver quão realmente dependente eu sou da palavra impressa.

A princípio foi meio incômodo, parar de imprimir os briefings – o lugar onde eu fazia anotações ou conferia informações. Com o tempo, acostumei a bater o olho na tela e usar o Ctrl+C Ctrl+V (ou Maçã+C Maçã+V, para quem pilota um Mac) e acabei percebendo que é até melhor e mais eficiente. Fica tudo num documento só e você vai eliminando o que é desnecessário.

Mas aí, claro, quis levar um passo adiante. E, como pago todas as minhas contas online, comecei a salvar tudo como pdf ao invés de imprimir. O que, na verdade, facilitou minha vida, pq papéis sempre foram um problema pra mim na hora de me organizar. E, tendo os pdfs no meu computador, eu consigo organizar rapidinho e dar uma busca para achar um arquivo específico.

Decisão tomada, e implementada, resolvi que era chegada a hora de encarar os diversos caixas de estabelecimentos e, ao invés de dizer somente não precisa da sacola, não, passei a dizer também Não precisa imprimir a segunda via não. Crédito, débito, Vale Refeição. Qualquer almoço virou uma profusão de papel – e eu nunca confiro esses comprovantes mesmo, pq controlo de outras maneiras. Bastou alguns nãos para minha carteira ficar menos lotada – dinheiro mesmo, nunca teve.

Mas nesse caso, não basta não aceitar, você tem que pedir claramente para a pessoa Não imprimir a segunda via, senão ela acaba imprimindo no automático e jogando no lixo. O que, obviamente, não adiantou nada, não é? Como essas decisões sempre trazem histórias (quem se lembra do atendente ranzinza da minha padaria?), aqui vai a anedota: já ouvi de uma pessoa, dona de um estabelecimento, que pelo que ela pagava para ter aquele terminal lá, tinha mais é que gastar papel. E aí a gente volta àquela sempre presente questão da Sustentabilidade.

Da próxima vez que você for imprimir qualquer coisa, pense um pouco se realmente é necessário. Melhor ainda: pense se imprimir essa folha não está afogando sua carteira, bolsa, vida com papel desnecessário. Porque uma coisa eu percebi: imprimindo menos papel, aceitando menos sacolas e isopor, minha vida ficou menos bagunçada e menos abarrotada de coisas inúteis.

Ps. Quem tem conta no HSBC devia reinvindicar que eles não imprimissem um comprovante cada vez que você retira dinheiro no caixa eletrônico. Que eu saiba é o único banco que faz isso e é completamente inútil: o dinheiro já está na sua mão mesmo, pra quê um comprovante?

Foto cortesia de *manci* via Flickr.

Comments
7 Responses to “Por uma vida menos impressa”
  1. van says:

    Até concordo com tudo isso que vc está falando… mas… será que um dia todo mundo vai deixar de usar papel? Há centenas de anos papel é usado, e não é agora, com o avanço da tecnologia que vc, impedindo alguém de imprimir a segunda via do cartão de crédito, vai consertar tudo (nada pessoal). Mas acho algumas atitudes muito “apaga incêndio”. Acho que o buraco é mais embaixo…

  2. Claudia says:

    Cansei de me desgastar com as pessoas por conta da segunda via do comprovante do cartão de crédito. Quando eu posso, cancelo a impressão da segunda via, geralmente falo q nao precisa, mas nesses casos elas imprimem de qq jeito e jogam no lixo…

  3. Van, eu nunca disse que minha intenção era eliminar a impressão completamente do mundo. Não acredito que vá existir, ao menos nos próximos 20 ou 50 anos, uma sociedade completamente livre de papel. Mas veja, não foi minha proposta. Minha proposta é diminuir o meu impacto nessa sociedade. Se você fizer o mesmo, seremos duas pessoas. E talvez outros comecem a perceber isso. Liderar pelo exemplo.

    Você sabia, por exemplo, que quando se criou o e-mail, todos acharam que os dias do papel estavam contados? Mas foi um dos grandes mitos da era do e-mail – como o fim dos Correios. Na verdade, o consumo só aumentou desde então. Tudo pq as pessoas imprimem sem pensar. Eu só estou propondo que cada um pense um pouco antes de apertar o Ctrl+P.

    Até pq, aqui no Brasil se recicla apenas 30% do papel consumido.

  4. Márcio says:

    ******************************
    Comentário suprimido.

  5. Márcio, por favor, vamos respeitar as opiniões alheias. Ainda que eu discorde dela, ela não foi rude ou desrespeitou ninguém. Se você discorda, embase a discussão ao invés de simplesmente desqualificar.

    Ab

  6. Camila says:

    Na Nossa Caixa é preciso imprimir toda vez que você pede pra ver o saldo… Uma droga! E detalhe, isso é cobrado de quem imprime.

  7. Andreany says:

    Muito Bom Sim..!!! e devemos nos espelhar e incetivar que nossos amigos e familiares façam o mesmo. Um exemplo: Minha mãe adora fazer compras no supermercado e leva sua própria sacolinha, MAs inacreditavelmente,Sério… Mas acreditem: Ela Foi Barrada Pelo segurança que acusou-a de roubo, Por Levar a Sacola: Ele Disse que sabia a Intenção dela. è imprescionante A Ignorancia de Algumas Pessoas…

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: