O Problema com: Reciclagem – parte 2

LegoEm meados de Outubro, eu escrevi sobre algumas razões pelas quais a reciclagem não é essa Coca-cola toda. À época, prometi escrever um outro post, falando sobre mais 2 razões para isso. Mas tanta coisa aconteceu que a continuação ficou para depois. Tardou mais não faltou: como prometido, aqui vai a segunda parte:

Outra razão pela qual a reciclagem pode ser um problema é justamente o fato de ela despertar a consciência ecológica. Ou melhor, ela ser, muitas vezes, toda a consciência ecológica desenvolvida por uma pessoa.

Explico: muita gente acredita que, já que recicla, pode sair por aí todo dia de carro, um 4X4 que faz 4km/l. Pode tomar banhos de 1 hora e passar o dia no ar condicionado, ainda que seja inverno. Enfim. Talvez você mesmo pense assim, ou seus pais, amigos, tios, avós – eu sei eu pensava assim até pouco tempo atrás. E assumo, tenho meus pecados também. O problema é que reciclar não é o suficiente. Reciclar é o mínimo necessário.

Mas, guardamos o melhor para o final, o grande problema com a Reciclagem não é nenhum daqueles que eu descrevi até o momento. O grande problema é que ela só existe porque vivemos numa sociedade descartável. E a reciclagem é uma forma de minimizar as conseqüências da pós-modernidade. É uma ação paliativa, análoga a passar caladryl depois de ficar um dia inteiro fritando sob o Sol. A diferença é que, se você levar uma tostada, é bem provável que dá próxima vez use protetor solar para começo de conversa – e evitar um câncer de pele. Mas nossa sociedade não aprende: continua consumindo loucamente porque, além de tudo, tem a consciência limpa por reciclar.

São 3 os Rs: Reduzir, Reutilizar, Reciclar. E existe um motivo para eles estarem nessa ordem: é uma hierarquia. Primeiro você reduz o consumo, comprando somente o necessário e tentando diminuir o necessário. Depois, quando não há outra saída, você consome, sempre buscando alternativas que permitam a reutilização ao invés do uso único. É comprar uma cerveja de garrafa no bar, que além de mais gostosa, vem numa embalagem retornável, que será lavada e reutilizada. E assim o processo é mais energeticamente eficiente e gera menos sujeira do que beber de latinhas de alumínio.

Quem já estava vivo na década de 80, 90, lembra-se que não existiam garrafas PET. Você comprava o refrigerante em garrafas de vidro retornáveis. Mesmo quando lançaram as primeiras garrafas de plástico, elas eram retornáveis e você trocava-as em adegas. A coisa já está tão ruim que em São Paulo um projeto de lei pretende proibir a comercialização de bebidas em garrafas de plástico.

Então você evitou consumir, reutilizou o que pode mas, ainda assim, sobrou alguma coisa. Aí, sim, você recicla. A verdade é que a sociedade deveria buscar o lixo zero. Faça o teste na sua casa. Separe os recicláveis. Isso deve compor cerca de 70 a 80% do seu lixo. Agora separe o lixo orgânico, o que deve ser mais 80% do restante, e pode ser reciclado no local (em breve vou fazer testes e colocar fotos aqui). O que sobra, que realmente é lixo, é muito, muito pouco.

Mas o que é realmente necessário é uma mudança de paradigma. A teoria do Lixo Zero diz que empresas devem pensar seus produtos do começo ao fim, para que não produzam lixo em seus processos de fabricação ou mesmo depois do consumo. Quer um exemplo de algo assim? A casquinha do sorvete. Você coloca o sorvete na casquinha, que é o recipiente e, pronto, come a casquinha, não sobra lixo nenhum! Caso você não coma a casquinha, ou deixe o papel, ambos são biodegradáveis e são rapidamente absorvidos pela natureza. Para saber mais sobre a teoria, entre no site dessa fundação.

Foto Cortesia de bucklava via Flickr.

Comments
8 Responses to “O Problema com: Reciclagem – parte 2”
  1. Olá Vitor,
    Cara muito legal seu blog e seu trabalho.
    Boa sorte nessa iniciativa.
    Espero que de certo sua vinda pra Secretaria.
    Abraço
    Gustavo

  2. casa de lixo organico says:

    quero saber mais sobe lixo organico se da para faz casa.

  3. Olá.
    Lixo orgânico a gente sempre faz em casa. Já a compostagem pode, sim, ser feita sem problemas. Eu venho tentando descobrir, há algum tempo, o melhor método pra isso. Vou fazer um post sobre isso logo mais, ok? de qq maneira, se precisar mais, entre em contato pelo bamboo Hot line.

  4. Elisabete de Melo Ferreira says:

    preciso urgente para trabalho de pós de uma forma de reutilização do lixo orgãnico de casa em casa nesmo, com uso de alguma substância química

  5. Luan says:

    que lixo ñ consigui fazer minha pesquisa vou te prossesar

  6. Vitor Leal says:

    Eu podia até moderar o comentário acima, mas não vou pq acho muito engraçado. Primeiro: o fato de ele não conseguir fazer a pesquisa é obviamente culpa da gente. Segundo, ele vai me prossesar (sic). Só queria entender as bases pra isso.

    E em terceiro, aplausos pelo ótimo uso da nova gramática, versão 2.075.

  7. Denise says:

    eu verifiquei que 60 latinhas recicladas custam R$ 2,50; quanto custa ambientalmente falando, a lavagem das garrafas de vidro para a indústria cervejeira e de refrigerantes? o que seria mais barato e com menos consumo de água/energia?

  8. Vitor Leal says:

    Olá, Denise,
    Não sei se entendi bem sua pergunta. O que seria mais vantajoso em que sentido e para quem? E quando vc fala de custo ambiental da lavagem das garrafas, refere-se ao consumo de água? Se sim, acredito que o impacto é muito menor do que reciclar ou produzir novas embalagens, sejam de metal ou vidro. Mas não tenho números nesse sentido.

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