Dicionário de ambientês

DicionarioEscrevendo o último post sobre a Natura, uma coisa ficou clara: fala-se muito sobre aquecimento global, mas pouco se entende sobre o assunto. Por isso, resolvemos fazer um mini-glossário de termos de ambientês para quem quiser compreender melhor as reportagens que andam por aí. Quem tiver uma pergunta, é só fazer, na caixa de comentários ou aqui, e, assim que pudermos, responderemos. O tema, hoje, é carbono. Confiram:


Combustíveis fósseis
são hidrocarbonetos utilizados na fabricação de combustíveis. São o petróleo, carvão mineral e gás natural. E de onde eles vêm? Da época dos dinossauros (e de antes), quando seres vivos morreram, foram soterrados e sob altas temperaturas e muita pressão, foram fossilizados, dando origem a esses hidrocarbonetos. No começo do século, achava-se que o estoque fosse infinito, mas hoje já se sabe que não é bem assim.


Cálculos
Neutralização de carbono – é basicamente zerar o saldo de emissões de uma pessoa ou empresa. Para isso, existem muitas maneiras. Segundo a ONG Iniciativa Verde, uma cada pessoa emite, em média, 2 toneladas de CO2 na atmosfera. Para neutralizar isso, você pode plantar árvores, comprar créditos de carbono, investir em energias renováveis e entre outras opções. Ou você pode, simplesmente, ir direto a uma empresa que faz isso pra você, desde o cálculo até a solução. Mas ao escolher, é importante procurar uma empresa idônea que realiza auditorias regulares. Para ter uma idéia das suas emissões individuais, você pode consultar uma das muitas calculadoras online. A própria Iniciativa Verde possui uma bem simples (que, na nossa opinião, poderia ser mais abrangente, como são algumas gringas). A minha média anual de emissões, segundo a ONG, é de 0,62 ton/CO2, o que dá 4 árvores.


ÁrvoreSeqüestro de carbono – embora também seja feito por árvores, o seqüestro é diferente da neutralização do carbono. Quando uma árvore está crescendo, ela está tirando carbono da atmosfera, através da respiração, e transformando-o em madeira. Esse é um seqüestro: tirar de um lugar e colocar em outro, remover o carbono da atmosfera e colocar na árvore. Os oceanos tem a mesma função, com a diferença que são muito mais eficientes e, na verdade, são o maior “banco” de carbono da Terra. A água do mar (quanto mais fria, melhor) absorve o gás carbono da atmosfera e vai para o fundo do mar. Outra maneira é através de fitoplâncton e algas, que absorvem o gás carbônico da água, realizam fotossíntese, transformando o CO2 em um tipo de cálcio, que vira conchas e afins. Todas essas maneiras de seqüestrar carbono são processos naturais, que também estão sendo ameaçados pelo Aquecimento Global. Se a temperatura do mar sobe, cai sua capacidade de absorver CO2. Alguns estudos indicam que isso já está acontecendo e que os oceanos estão ficando saturados. Além disso, o gás carbono aumenta a acidez da água e da terra, o que dificulta a sobrevivência de diversas espécies. É o caso dos recifes de coral, que são, em si, depósitos de carbono (na forma de carbonato de cálcio CaCO3) e estão sofrendo com o aquecimento da água e o aumento da acidez.

Existem estudos para o seqüestro artificial de carbono. Artificial porque seriam realizados pelo homem. O mais conhecido, e divulgado pelas usinas termoelétricas, literalmente enterrra o CO2 capturado antes de sua emissão. Nesse processo, caro e ineficiente, o gás é liqüefeito e injetado na terra. Mas, como foi dito, aumenta sua acidez e pode até contaminar lençóis freáticos. Outro estudo sugere o seqüestro por meio de algas, que depois seriam utilizadas para a manufatura de biocombustível, ou então a injeção desse gás no próprio oceano.


Ciclo do carbono
Ciclo do carbono – a primeira lei da termodinâmica diz que a energia, dentro de um mesmo sistema, se conserva. Da mesma forma, o carbono total existente no nosso planeta, deixando de lado perdas ou ganhos desprezíveis para o espaço, se mantém. E tudo começa com as plantas: elas pegam o carbono do ar (CO2) e absorvem, através da fotossíntese. Daí, ou devolvem para o ar pela respiração, ou absorvem e fixam durante seu crescimento. São os caules, troncos, frutos, etc. Depois, vem um herbívoro e come esse carbono, utilizando-o para o seu próprio crescimento. Parte desse carbono também é eliminado pela respiração. Vem um carnívoro e come esse animal, repetindo o processo. E assim, sucessivamente. Até que o animal ou planta morre. Nesse momento, bactérias e outros decompositores liberam o carbono fixado de volta à atmosfera. Esse ciclo se repete indefinidamente. Então, você me pergunta, se é um processo normal, qual o problema? O problema é que milhões de anos atrás a concentração de carbono na atmosfera era 100 vezes maior do que a atual, e a terra muito mais quente, devido ao (quem adivinha?) efeito estufa. Com o passar dos anos (e eu estou falando de muitos anos), o carbono foi se fixando embaixo da terra (na forma de rochas), no oceano, nos seres vivos e rareando na atmosfera. Assim, a temperatura diminuiu e formou-se um equilíbrio que, excetuando-se catástrofes como o meteoro que extingüiu os dinossauros, permitia a estabilidade da temperatura do planeta. Mas a ação do homem nos últimos 200 anos (pós revolução industrial), queimando combustíveis fósseis a torto e a direito, lançou muito carbono na atmosfera e, aliado às queimadas, derrubadas de florestas (que é o maior contribuidor de gases estufa no Brasil) desequilibrou essa harmonia. E a Terra voltou a aquecer.

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O Bamboo Blog não possui nenhum vínculo com nenhuma das ONGs ou empresas linkadas neste artigo. Fotos cortesia de &lton™, misterbisson e luarembepe via Flickr.

Comments
3 Responses to “Dicionário de ambientês”
  1. joseane says:

    muito bom o conteudo!
    gostaria de uma melhor explicaçao sobre os creditos de carbono atualmente! desde ja muitissimo obrigada pelas inoformaçoes

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  1. […] É a energia que todo ser vivente (ou morrente, no caso de já ter passado para a próxima etapa do ciclo de carbono) possui dentro de si. E, de certa maneira, tudo provém do Sol, mas não vamos entrar nisso pra […]

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