Sustentabilidade é fácil?

BorboletaEm uma palavra? Não. Viver uma vida sustentável requer sacrifícios em diversas áreas. Não é prático, nem confortável. Às vezes cansa pacas. Mas eu acredito que o maior problema não está na sustentabilidade, ou na sua dificuldade intrínseca, mas na própria questão do conforto ou praticidade – a pergunta que inicia este post e é usada como justificativa para não-ação. Seria mais correto perguntar se é “melhor ser sustentável”. E aí, a resposta outra…

Sim. É bem melhor. Vivemos numa sociedade do conforto, da praticidade e, por incrível que possa parecer, isso torna as coisas automáticas, vazias de significado. Desde que eu decidi que não ia comprar um carro, pelo menos no futuro próximo, e ia viver à base de transporte público e eventuais caronas, comecei a fazer menos coisas e levar mais tempo para chegar aos lugares (disclaimer: eu não tinha carro antes, mas sempre tive acesso a um). Mas ao mesmo tempo, cada coisa que eu faço tem mais significado. Eu preciso me planejar um pouco mais, mas isso impede que eu saia rodando por impulso. Faz com que eu tenha mais contato com as pessoas, com a cidade. Eu ando muito mais do que antes e isso me possibilita olhar para a cidade, entender melhor como ela funciona e como seria melhor se cidades fossem construídas para pessoas e não para automóveis. Um lugar que conseguiu essa façanha, é Bogotá.

A verdade é que tudo começa numa atitude muito simples. Você decide que é importante ir além de reciclar e, de repente, fica neurótico com sacolas plásticas, começa a ler os rótulos de tudo o que compra (vocês nem imaginam o tipo de coisa que comemos realmente). E começa a gostar de pegar o ônibus. Começa a cozinhar comidas que você mesmo pensou, em oposição a refeições congeladas ou desidratadas. E o melhor: o sabor é incomparável. Quem já comeu um ovo caipira sabe do que eu estou falando. Parece que você não sabia o que era ovo.

É essa a sensação que eu tenho, que a vida tem mais sentido, que tudo tem mais significado. Que suas escolhas são mais complexas, mas também são mais ricas. Imaginem que outro dia eu comi couve-flor! E gostei. É impressionante como você também acaba se conhecendo melhor no processo e, como disse o Jerry num e-mail que ele me enviou: também conhece gente incrível. Ainda que elas sempre tenham estado ao seu lado.

E sabem o que me fez pensar nisso? O texto de um amigo. Ele foi de alguém que nem sabia o que significava responsabilidade socioambiental para alguém que apaga a luz na casa dos outros (mas não contem pra ninguém).

E aí você descobre que vale a pena.

Por onde começar?
por Daniel Xavier

Essa é a pergunta que me vem à cabeça toda vez que eu preciso escrever alguma coisa. E hoje, não foi diferente. Vou começar com a primeira tecla e ver no que vai dar. A insegurança deste primeiro parágrafo se justifica no total desconhecimento do assunto:
SUSTENTABILIDADE.

Diferente de você – ou, assim como você –, eu não conheço nada do assunto. Mas, dias atrás, me vi desafiado a pensar sobre. O papo seguiu por outros dias, corredores, almoços, MSN e muitas cobranças: pô Dani! Você não vai escrever no meu blog?!

– Cá estou!

Porém, acho difícil pensar em sustentabilidade num país que não se sustenta. Querer mudar o hábito de consumo dos brasileiros onde grande parte das pessoas não consomem.
Não consigo deixar de pensar nisso, e só paro quando minha cabeça esquenta. Não pelas reflexões, mas pelo calor que faz em agosto.

– Não é inverno, porra?!

Não se assustem, ou melhor, se assustem. Porque meus olhos estalam ao ver o que estamos fazendo com o Planeta.

Sustentabilidade deixou de ser uma modinha da classe média ou de países de primeiro mundo. Deixou de ser solução. O jeito é remediar.

Não sei qual a solução pra desigualdade social, não sei qual a solução para o problema ambiental. O Raul disse que a solução “era” alugar o Brasil. Tarde demais.

Cansei de pensar em um escritório com o ar-condicionado e comecei a me interessar mais, vesti a camisa – que não é a do P.V. – e, sempre que posso, leio mais sobre o assunto, discuto, comento com colegas, separo o lixo, vou de escada, deixo de imprimir uma folha – vou mandar esse texto por MSN, claro -, dou preferência a empresas que se preocupam com isso… e por ai vai.

São ações pequenas, quase imperceptíveis, mas isso tem feito muito bem pra mim. E, acredito que aos poucos, vou adquirir outros hábitos.
A idéia já foi semeada, basta um pouco de paciência para crescer, florescer e dar frutos. Se esse texto – que já está logo demais – começou com uma tecla, acredito que pequenas ações ajudam.

Essa não é uma solução, e sim uma sugestão.

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