Responsabilidade e Individualismo

Meu nome é Maria Fernanda, sou bacharel em Direito. Algumas amigas minhas da faculdade de direito dizem que ser mãe tornou este ser aqui que vos escreve um tanto quanto radical, e eu completo dizendo que é minha responsabilidade não só com a Ingrid, minha pequerrucha que acabou de fazer 5 anos no dia do advogado, 11 de agosto (ah, os filhos sempre querendo confrontar os pais… hehehe!!!) mas com o planeta. Por que, como pensar na formação da minha filha se ela não puder competir com o tamanho do lixo que ronda a Cidade Universitária? Assim como chamo a mim o dever de criá-la, (financeiramente e emocionalmente) tenho a responsabilidade de passar valores importantes sobre o mundo que a cerca. Sobre o que temos de mais belo na raça humana, que é a necessidade de re-aprendermos a conviver em sociedade…

 

Infelizmente, o curso de Direito não sanou esta necessidade, apesar de ter fornecido ferramentas importantes para que eu colocasse muita coisa boa em prática…e claro, me dar segurança financeira, para “pensar no futuro” sendo vergonhosamente sincera. É o individualismo que a vida nos impõe, mesmo que nos faça corar. Como muita gente que está lendo isto agora, estudei em boas escolas e me preparei para isto! Como algo que fazemos todos os dias: ao sentir sede, nos dirigiremos ao bebedouro mais próximo, tomaremos a água servida nos copinhos de plástico e descartaremos o copinho, sem mesmo pensarmos que talvez esse copinho contenha substâncias cancerígenas.(“Pôxa, eu estou com sede, o que se há de fazer?”)

 

Porém, do que tenho a dizer, infelizmente nenhum conhecimento acadêmico. Poderia até falar da Responsabilidade do Estado sobre os recursos naturais, usando conhecimento técnico jurídico, mas seria pobre demais… Pois só a maior das transformações tirou a minha vida da teoria, e das enormes teorias que nos invadem vida afora: a maternidade. Eu não me sinto qualificada a falar sobre um mundo melhor – sem aspas – se não for por esta ótica. Ser mãe proporcionou que esta inquietação se libertasse de mim, apartidária, límpida e isenta. Essa vontade de curar o planeta e inúmeros outros valores poluídos. Sempre pensei na preservação dos recursos naturais e dos patrimônios ecológicos como algo urgente e de extrema importância, porém meu costume era passar a responsabilidade para tudo que é maior. Para pessoas e políticos que tomam decisões grandes. Para investidores de empresas. Para qualquer pessoa que precisasse assinar algo para mudar algo feio e bem mal-cheiroso. De preferência logo ali.

 

Eu, principalmente como mãe e, conseqüentemente, formadora de pelo menos UMA opinião, escreverei aqui toda a semana para contar a minha trajetória de mudar o mundo de uma pessoa: minha filha. Tomara que sirva de inspiração para outras pessoas que, profissionalmente, dentro de casa e fora dela, convivem com serzinhos humanos em formação, buscando soluções na família e, saindo do próprio umbigo sim, pressionando autoridades para que nosso futuro floresça limpo e esperançoso, protegendo nossos bens mais preciosos da ganância do mercado. Quero transformar o caráter “individualista” desta minha posição em um enorme presente para as gerações futuras.

Maria Fernanda Gonsalves de Oliveira. Bacharel em direito e mãe da Ingrid.

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