Saber jogar fora, parte 1

Quando mudei do Rio de Janeiro para São Paulo, minha relação com o lixo mudou completamente. O Rio de Janeiro não possui coleta seletiva pública e não existem alternativas privadas viáveis para a população. Confesso: foi um suplício entender que na lixeira de pia eu podia jogar OU as embalagens OU os orgânicos, que não era para misturar e que no subsolo do meu prédio a areia suja do meu gato não ia ficar em cima da caixa de pizza.

O mais engraçado disso tudo é que eu sempre fui alguém relativamente preocupada com o meio ambiente. Sempre economizei água, energia elétrica e gás. Sempre fui preocupada com o tratamento ético dos animais. Estava sempre bem informada sobre questões relativas ao aquecimento global. Então por que o lixo não fazia parte das minhas preocupações?

Acredito que a nossa cultura de acúmulo e consumo desenfreado seja um pouco responsável por isso. Jogamos fora roupas, celulares, livros. Não usamos todo o alimento: cascas, talos e folhas que poderiam nos nutrir vão direto para a lixeira. Estamos sempre em busca do mais perfeito, do mais novo, fugindo da obsolência e inventando necessidades.

Diante desse quadro como saber jogar fora, como tratar os expurgos de nossa humanidade de forma que o planeta seja minimamente afetado? Eu ainda não sei como fazer tudo, mas pesquisando encontrei algumas entidades e dicas que podem ser úteis quando o assunto é realmente descartar alguma coisa, seja orgânica ou inorgânica. Vamos a elas!

ÓLEO COMESTÍVEL

Pasmem, mas um litro de óleo pode contaminar até um milhão de litros de água potável. O ideal é armazenar esse óleo em garrafas pet, para que instituições especializadas o recolham e o reciclem, na maioria das vezes fazendo sabão. o Instituto Triângulo no ABC Paulista faz esse trabalho e com as garrafas pet em que o óleo é armazenado ainda faz camisetas e varais de roupas. É muito bacana, visitem clicando aqui. Eles ainda possuem uma receita caseira de reaproveitamento do óleo. Vale conferir.

Para quem armazena em casa e ainda não sabe, o óleo de cozinha é um excelente aliado na limpeza doméstica. No site Vale Verde encontramos dicas desde como encerar até a melhorar o ranger de portas usando esse material.

PRODUTOS ELETRO-ELETRÔNICOS

Ta aí um lance polêmico: Cd’s, celulares, liquidificadores, tv’s, baterias. Muitos desses ítens possuem elemento tóxicos, materiais cortantes e uma quantidade significativa de plástico. Nos EUA, no estado da Califórnia o cidadão que compra um ítem que possua metal pesado (cádmio ou chumbo, presentes em tv’s e computadores, por exemplo) paga uma taxa que cobre os custos da reciclagem. Quando a vida útil do ítem se esgota, é só entregar em um dos centros construídos para esse fim. E aqui no Brasil, como fazer?

Celulares: na maioria das vezes, basta entregar em um posto de venda do fabricante. Mas pasmem, nada é reciclado no Brasil. Tudo é embalado e enviado para empresas de reciclagem estrangeiras. Ou seja, seu celular faz uma longa viagem para chegar até você e uma longa viagem para ir embora. Pense bem antes de ficar trocando de aparelho por um mais moderno ano a ano.

– Baterias de carros: os ferros velhos não tem a preocupação de descartar esse material da melhor forma. Cada fabricante possui sua própria maneira de descarte e reciclagem, o melhor a fazer é ligar na empresa fabricante e pedir orientações de onde entregar o material.

– Pilhas: um caso complicadíssimo. Ao contrário do senso comum, as pilhas podem sim, ser descartas no lixo comum. as pilhas legalizadas não contém metais pesados. Porém, uma grande parte das pilhas vendidas no país não passa pelo crivo da lei, pois é contrabandeada. Então para descatar pilhas é bom procurar um posto de reciclagem ou descartá-las em lixeiras específicas que existem nas grandes cidades, especiais para baterias e afins. No Rio de Janeiro elas são da cor verde e estão espalhadas em vários pontos da cidade, em São Paulo muitos supermercados, como o Pão de Açúcar possuem serviços de recolhimento.

– Computadores e Periféricos: Só achei um programa da empresa HP, que além de não usar materiais tóxicos nas suas baterias, compartilha a responsabilidade do descarte com o consumidor. Mas ainda temos os milhões de consumidores de outras marcas. Em São Paulo a sucata eletrônica compra e recebe a maioria desses materiais.

– Para endereços e informações de mais empresas pelo País clique aqui.

Na parte dois do post, um pouco mais sobre reciclagem, reaproveitamento e descarte agora em papel e materiais orgânicos. Até lá.

Comments
6 Responses to “Saber jogar fora, parte 1”
  1. Max says:

    Pô, legal!

    Acredito que o problema maior é mudar a mentalidade das pessoas, os costumes, o dia-a-dia, enfim…

    Acho que nós que somos mais novos tendemos a aceitar e acatar as mudanças que são mais do que necessárias.
    Mas e os nossos avôs e até mesmo pais?

    Acho que se conseguíssimos fazer com essas pessoas repensassem sobre isso, já seria uma baita vitória.
    Parabéns pelo tópico Rê.

  2. vanuzia says:

    Gostaria de saber se alguém pode me informo onde consigo entregar para reciclagem livros antigos e papel? Moro na Cidade do Rio de Janeiro, no bairro de bangu, zona oeste da cidade.

  3. Vanuzia, o ideal, para livros antigos, é entregar para sebos, onde eles podem ser vendidos e reutilizados. Dessa forma, como eles fizeram parte da sua história, poderão fazer parte da vida de outras pessoas. Dependendo dos livros, você também pode doar para escolas ou bibliotecas públicas próximas à sua casa.

    Quanto ao papel, estamos esperando a resposta de uma Cooperativa que existe perto de você, em Bangu. Vamos informá-la assim que tivermos a reposta.

  4. Flávia says:

    olá!
    amei o texto e estou copiando ele, se vc o encontrar em algum lugar pode procurar sei nome no canto esquerdo OK?
    aprecio a Obra mas não esqueço do autor.

  5. Fred says:

    Olha,

    Sinceramente, no ser humano só mechendo no bolso, concientizando de que se não separar o lixo vai pagar caro (multa). Só assim, como foi com o cinto de segurança, é que teremos o correto destino do lixo. Outra forma, no meu entender é utopia, não funciona como deveria. Faço minha parte e tento convencer aos outros sobre isso, mas convenhamos, só muda mesmo na marra. Ninguem me convence o contrário.
    Fred.

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  1. […] isso de jogar fora Agosto 18, 2008 Cerca de um ano atrás escrevemos um post entitulado “Saber jogar fora”. A idéia, na época, era mostrar um pouco sobre reciclagem e sobre como é importante saber o que […]



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